terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Made in Brasil


            O crescimento da gastronomia no Brasil é notável. Prova disso é o investimento na produção de ingredientes que nós costumávamos importar. Por exemplo o escargot. Um engenheiro agrônomo chamado Carlos Alberto Funcia demorou (11 anos), mas conseguiu reproduzir no Brasil, mais precisamente em Piracaia, no interior de São Paulo, o sabor do escargot parisiense. Funcia voltou da França deslumbrado com o sabor da iguaria e ao procurá-la para preparar a receita descobriu que só era vendido aqui o escargot em conserva. Ele estava certo de que havia mais pessoas querendo degustar os pequenos caracóis frescos e investiu na criação deles. Atualmente ele é dono da Heliz Escargots, empresa que produz três toneladas do molusco por mês e vende para restaurantes e supermercados em todo o estado de São Paulo. E pra você que esta com essa carinha de puro desdém questionando a qualidade do produto, saiba que os chefs aprovam não só pela qualidade, mas pelo frescor. Ingredientes frescos fazem toda a diferença!
            Os chefs de cozinha que atuam no Brasil citam entre os melhores fornecedores nacionais produtores de cogumelo, flor de sal, cordeiro e vitela, queijos de cabra... produtos característicos da cozinha européia produzidos aqui, no aconchego do lar.
            E o foie gras então? Eu sei, eu sei, é uma judiação engordar o fígado do bichinho, mas não vamos entrar nessa polemica. O assunto aqui é o que é produzido em território nacional e sim, o foie gras está na lista. A Villa Germânia, no Vale do Itajaí (SC) é uma das favoritas quando se trata dos diversos cortes de pato e para encantar os chefs se especializaram na elaboração do foie gras, aprendendo a melhor maneira de alimentar a ave para engordar seu fígado. Além de ser mais barato, tem o bônus de valorizar os ingredientes locais.
            Os profissionais da cozinha escolhem os fornecedores pela qualidade, o chef Raphael Despirite, do Marcel, em São Paulo, opta por usar cogumelos da Terras Altas e elogia o frescor e a rapidez com que o produto chega no restaurante, não é preciso esperar semanas pra ter bons ingredientes. Mogi das Cruzes também é uma terra de cogumelos de qualidade, cultivados por imigrantes japoneses e chineses. E são diversos tipos, paris, shimeji e shitake são os mais conhecidos, mas também tem pleurotus salmão, porto-belo, crimini, hiratake e eringui.
            O chef Villard, do Le Pré Catelan, tem trabalhado com queijos de cabra da Fazenda da Serra e escargots da Invernada, produtores da Serra Fluminense. Segundo ele, os melhores queijos franceses não chegam aqui e os nacionais os substituem muito bem. Queijos como chabichou, chevrotin, sainte maure, entre outros queijos de cabra europeus, são reproduzidos aqui (embora aqui no Brasil a legislação só permita o uso de leite pasteurizado, portanto esses queijos não têm o mesmo sabor dos elaborados com leite cru), alguns desenvolvidos com ajuda de chefs de cozinha.
            Depois de ver essa lista de produtores e ingredientes, e os chefs que os aprovam, não há como questionar o crescimento da gastronomia no nosso país. E embora seja só o começo, estamos indo com a corta toda!
           
Fonte de pesquisa: Revista Menu, nº 153 ano 12, páginas 44 a 54. 

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